Do suco ao wearable tech, sem perder o sentido

A do bem já é um case bem legal de construção de marca, num posicionamento muito bem-feito de uma vida mais saudável e com menos tempo pra coisas chatas tipo gravatas. A missão deles é “Simplificar a vida das pessoas e deixar todos os corpos saudáveis”.

E, nessa proposta clara de valor, faz todo sentido lançarem uma fitband, que eles chamaram de Máquina. Abaixo, um dos vídeos que eles fizeram explicando os benefícios da pulseira:

(Notem bem: os vídeos vendem os benefícios, não funcionalidades.)

Dá pra todo mundo que faz aplicativos e produtos web aprender um pouquinho com isso aí. E será que mais empresas de outros setores se empolgam a fazer hardware depois dessa? 

(vi primeiro num post do Fabio Giolito)

Compartilhe esse link antes de ler

image

Essa sexta-feira, participo de um debate no Youpix com Sam Shiraishi (blogueira e embaixadora do SocialGood Brasil), Mariana Belém (colunista da revista Pais & Filhos e autora do blog Mamãe de Primeira Viagem), Dr. Marcelo Arantes (psiquiatra e interneteiro) e Mirian Bottan (blogueira e fundadora do Projeto Futurão). O tema é aquele que abordei no lance do boato do Selton Mello em Game of Thrones: as consequências de se espalhar as notícias sem checar na internet. 

Vai lá, é de graça e a conversa vai ser ótima. O debate está marcado pras 20h, logo antes da premiação dos Melhores da Webesfera 2014, onde concorro ao título de mentiroso do ano, ou algo assim.

There’s a boy-who-cried-wolf aspect to the modern art of click-bait headline writing. There are certain patterns that emerge, which I’m sure are statistically shown to work. For example, listicles typically no longer use round numbers like 5, 10, 15, 20 (…)

I’m sure these tricks work, that there’s all sorts of analytics data that shows it — but no trick works forever. People inevitably catch on.

John Gruber, falando sobre os artigos com títulos feitos pra você clicar. Tomara que ele esteja certo.

Culto à personalidade e misoginia, dois problemas que startups precisam resolver

Esse artigo sobre o processo que corre em que uma suposta co-fundadora do Tinder, Whitney Wolfe, reclama que perdeu esse status e foi escorraçada pra fora da empresa é estarrecedor. Um trecho:

 She says that Mateen, whom she dated, called her a “desperate loser” who “jumps from relationship to relationship,” a “joke,” a “gold digger,” a “disease,” a “whore,” and a “slut” who needed to be “watched” if she were to keep her job.

A matéria apura como ela foi importante pro sucesso do produto, chegando até outra pessoa que estava lá na época:

“We sent her all over the country,” Munoz told me this week. “Her pitch was pretty genius. She would go to chapters of her sorority, do her presentation, and have all the girls at the meetings install the app. Then she’d go to the corresponding brother fraternity—they’d open the app and see all these cute girls they knew.” Tinder had fewer than 5,000 users before Wolfe made her trip, Munoz says; when she returned, there were some 15,000. “At that point, I thought the avalanche had started,” Munoz says.

Essa história fala sobre mais do que as pessoas e empresas envolvidas nela. Pra mim, escancara duas coisas que prestam um desserviço ao ecossistema inteiro.

A) Nosso mercado é machista demais.

A ideia do brogammer e empresas que levam esse estereótipo a sério fazem com que cada vez menos mulheres entrem nessa área. Eu nem vou entrar muito nessa, porque 1) é óbvio que isso é ruim (trabalhamos com inovação, precisamos fomentar a diversidade, sempre) e 2) muita gente escreveu sobre isso (um dado desse último artigo, abaixo):

In 1990, a third of computer workers were women. Now: 27 percent. 

Em tempo, sobre o mesmo assunto, esse é um ótimo artigo da Slate em que as declarações (vazias) sobre equalidade de gênero do co-fundador do Tinder são colocadas em perspectiva e como são um subproduto de uma cultura que trata as mulheres de forma - no mínimo - condescendente.

B) Culto à personalidade.

Acreditamos demais Mitos de Criação. A história bonita sobre os caras que tiveram uma ideia incrível e foram lá e ficaram milionários. Minha frase preferida do The Social Network é a que fecha esse diálogo abaixo:

Mark Zuckerberg: I’m not a bad guy. 
Marylin Delpy: I know that. When there’s emotional testimony, I assume that 85% of it is exaggeration. 
Mark Zuckerberg: And the other fifteen? 
Marylin Delpy: Perjury. Creation myths need a Devil. 

O mito do cara que teve a ideia genial sozinho ajuda a criar uma cultura que coloca como especial gente que é… gente. Que tem falhas de caráter, problemas de relacionamento e visões de mundo e atitudes que nem sempre são corretas. E isso fica claro quando alguma dessas pessoas acredita que é realmente especial.

Uma cultura que, em última instância, dá aos caras que acreditam que são especiais assim o direito de serem como quiserem, o que inclui (nesse caso) muita misoginia. 

Tá na hora de acabarmos com ambos.

Em uma imagem, porque não faz mais sentido usar páginas do Facebook como canal de marketing.
O engajamento de 11 MILHÕES de fãs no Facebook é menor que o de 50 mil followers no Twitter.
Post original do Rhys Ilmann no Twitter. via Vinicius nessa outra rede social que deveria acabar logo.

Em uma imagem, porque não faz mais sentido usar páginas do Facebook como canal de marketing.

O engajamento de 11 MILHÕES de fãs no Facebook é menor que o de 50 mil followers no Twitter.

Post original do Rhys Ilmann no Twitter. via Vinicius nessa outra rede social que deveria acabar logo.

Wait. Are we so good that Google had to steal our thunder?

First, let me be clear that even though Dujour may not be a household name in the US (yet - just wait for it!) in Brazil we have amassed a fairly big user-base and been heavily featured by Apple, to the point of being selected as one of the Best Apps of 2013. The Next Web said we were one of the latin-american startups to watch in 2014. It is not too far-fetched to think someone at Google might have seen our app.  

So, on yesterday’s Google I/O the company announced the new Google Fit Platform. like the idea, but could not help but notice it’s logo is eerily similar to ours. Here:
image

(our logo on the left - Google Fit’s on the right)

The same fold out movement, similar colors, shapes and font style and positioning. Also, inside the app, we even use the heart as our very own ‘like’ with an even more similar design:
image
(our heart-shaped “like” button - it folds out like this on the app)

The fold out movement is heavily featured inside the app, for instance on our loading:
image

(Dujour’s loading gif is the spinning version of our logo)

At first we dismissed it - “yeah, it’s similar, but a lot of things look like that”. But from the moment the logo appeared on the keynote we started getting calls from friends. After some time we got convinced that maybe it wasn’t just us.

We don’t really think this was made in purpose. But as a founder of Dujour, I’m a bit worried about people thinking we came after. 

But I’m not here to accuse anyone, I’m here to open up a conversation - what do you think happened? What would you do in our place?

Isso tem que ser ilegal: hóspede ameaçada por deixar comentário negativo no TripAdvisor

Taí uma empresa brasileira copiando o pior comportamento possível de empresas americanas. Parabéns a todos os envolvidos.

image (via Bruno Porto no Twitter).

Um dos princípios mais básicos da internet é dar voz e espaço para as pessoas. Se isso virar moda por aqui, o Marco Civil não vale de muita coisa. Do texto:

Art. 8
A garantia do direito à privacidade e à liberdade de expressão nas comunicações é condição para o pleno exercício do direito de acesso à Internet.

e, da parte em que fala os pré-requisitos para que uma empresa tome esse tipo de atitude:

Seção IV
Da Requisição Judicial de Registros

Art. 17. A parte interessada poderá, com o propósito de formar conjunto probatório em processo judicial cível ou penal, em caráter incidental ou autônomo, requerer ao juiz que ordene ao responsável pela guarda o fornecimento de registros de conexão ou de registros de acesso a aplicações de Internet.

Parágrafo único. Sem prejuízo dos demais requisitos legais, o requerimento deverá conter, sob pena de inadmissibilidade:

I - fundados indícios da ocorrência do ilícito;

II - justificativa motivada da utilidade dos registros solicitados para fins de investigação ou instrução probatória; e 

III - período ao qual se referem os registros.

Pela carta, não há qualquer fundamento de que o comentário da hóspede seria falso ou ilícito. O nome disso aí é bullying mesmo. 

Toda solidariedade à Flávia.

UPDATE: o título original falava que a hóspede está sendo processada, mas na verdade é só ameaça até agora. Corrigido (valeu, fseixas)

Anatomia de um hoax: como e por que eu pus o Selton Mello em Game of Thrones e o que dá pra aprender com isso

Ontem à tarde eu descobri o Shrturl. É daqueles serviços tão simples e tão óbvios que te deixam com inveja de não ter pensado antes. Achei genial.

Na hora, lembrei de uma frase que li nesse (ótimo, por sinal) artigo sobre marketing de conteúdo no blog do Noah Kagan

"Research has shown that there’s zero correlation between people reading and sharing content. Which means a good chunk of people share content without even reading it.”

Fazia todo sentido aproveitar que a ferramenta ainda era nova e brincar com isso. Pra maximizar isso eu queria explorar também o fato de que qualquer coisa que sai num site gringo ganha repercussão aqui. E que jeito melhor de explorar esse complexo de vira-latas do que colocar na jogada o meme do brasileiro que faz algo legal lá fora?

A ideia se escreveu sozinha: SELTON MELLO em Game of Thrones.

Pesquisei, achei um site tosco publicando os últimos rumores sobre a escalação de elenco e em 20 minutinhos tinha isso em mãos (o link expira 48 horas depois então tá o print aí abaixo).

image

Fiz um post no Facebook pouco antes das 19h. Meus amigos comentaram. Um ou outro sacou que era pilha, e eu atento apaguei e avisei que eu que tinha feito e queria ver até onde ia. Eles entraram na onda e compartilharam, assim como outros amigos que caíram (mal, galera).

Mandei um tweet. Só 3 retweets. Mas alguém pegou o link e jogou no twitter mesmo assim. A Dilma Bolada compartilhou (mas mesmo antes disso a velocidade já era bem grande). Aí começou a sair em blogs e logo tava no EGO. Tava feito o estrago. 

No fim:

  • mais de 145.000 acessos na página (e contando);
  • 521 tweets com a url;
  • 4.500 tweets com “Selton Mello” nas últimas 24 horas (usei o Topsy);
  • 3717 compartilhamentos no Facebook (usei esse counter);
  • 13363 likes no Facebook;
  • Matérias no Ego, Bandeirantes, UOLO Dia e sei lá quantos sites (agora só tem link pras retratações);
  • Só a notícia do Ego foi compartilhada mais de 9.000 vezes
  • Trending topic no Brasil durante quase o dia inteiro.

Depois que começaram os dementidos, surgiram as retratações, alguns tiraram mesmo do ar e a essa altura já tem até matéria sobre como rolou no Youpix e n’O Globo

Mas a melhor parte? Tão até agora confirmando o Selton Mello em outras séries e paradas. O meme vai durar 3 dias, mas como pai tô orgulhoso.

image

Melhor gráfico.

E no fim, aprendi que eu tava certo de achar que a galera ia sair compartilhando sem ler direito. Se liga aí internet.

(Bônus: a minha reação quando vi isso ontem nos TTs)

Obrigatório: saiu o relatório anual da Mary Meeker

O relatório anual da Mary Meeker para a Kleiner Perfins de tendências da internet é obrigatório. 

Como sempre, muita informação boa e várias oportunidades mapeadas. Destaco:

  • O potencial pro investimento em mobile no Brasil, que já tem 72 Milhões de Smartphones (30% mais que no ano passado);
  • Mobile apps são quase duas vezes mais rentáveis que mobile ads;
  • A evolução dos serviços de mensagens (Whatsapp, Snapchat) mostrando que o futuro não está em se comunicar pouco com grandes audiências (Facebook, Twitter) mas sim se comunicar muito com pequenas audiências;
  • No slide 62, tem o porquê do Facebook ter comprado o Whatsapp;
  • Segunda tela: cada vez mais realidade (e importante pra aumentar a efetividade das ações de marketing).